Dr. Oscar Egídio de Araújo Filho
Assistente Técnico do Departamento Regional de Saúde de Sorocaba/Dependência Química
Diretor Clínico do Instituto de Dependência Química de Sorocaba
A pesquisadora Monica Levy Andersen do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) está publicando um interessante trabalho sôbre a intensificação da ação da cocaína quando o indivíduo fica um período prolongado de tempo sem dormir.
__Serve de alerta para aqueles que ficam dias ausentes de seus lares, sem dormir e consumindo a droga. Estes estão correndo o risco de antecipar uma overdose.
__A experiência ocorreu em ratos, mas a explicação fisológica é a mesma para o seres humanos.
__As células nervosas nunca se tocam e a transmissão do impulso elétrico de uma célula para a outra ocorre através de uma ponte química - as catecolaminas. Tanto a falta de sono como a presença de cocaína alteram uma dessas catecolaminas - a dopamina.
__Quando o indivíduo não dorme, as células que receberão os impulsos nervosos ficam supersensíveis e, prontos para receberem a dopamina da primeira célula. Entretanto, a dopamina não chega até a segunda célula porque a cocaína impede a que a dopamina seja recaptada.
__Os dois efeitos, maior sensibilidade por parte da célula receptora do impulso nervoso e não recaptação da dopamina, se somam e, causam distúrbios das áreas de sensação de prazer e coordenação motora.
__Esses fatos poderão resultar em quadros importantes, com necessário atendimento em serviços de emergência e com grande chance de serem fatais.
__Por outro lado, o uso continuado de cocaína e, consequentemente a diminuição progressiva de dopamina na estrutura nervosa pode levar a quadros crônicos e irreversíveis em que o indivíduo não estabelece mais uma ponte eficaz entre suas células nervosas.
__Não será demais lembrar que a cocaína pode ser utilizada de diferentes maneiras.
__Por aplicação direta nas mucosas, através da via respiratória (aspirada - pó ou fumada - crack) ou injeção endovenosa.
__A via oral através de bolos, por exemplo, (sem a conivência do indivíduo) pode existir, porém não é eficaz apesar de poder induzir também ao quadro de intoxicação, dependendo da quantidade. A via oral é a preferida quando se trata de hábito cultural - mascar a folha.